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Segundo o estudo “O perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudanças no mundo do trabalho do jornalista profissional em São Paulo”, concluído em 2013, pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), as novas tecnologias e a cultura de convergência mediática afetaram, profundamente, os processos de produção de jornalismo e, consequentemente, o perfil de jornalista da atualidade. 

O estudo teve como base as respostas fechadas e abertas de 538 jornalistas paulistanos e concluiu que, nos dias de hoje, são exigidas, à maioria destes profissionais, tanto competências de atuação nas mais variadíssimas plataformas (imprensa, rádio, televisão e internet), como nos diferentes tipos de linguagem (escrita, fotográfica, sonora, verbal, audiovisual e hipertextual) – fenómeno da convergência mediática.

Ora, estas conclusões não são novidade para nós, muito menos para os teóricos da comunicação, e podem ser vistas como um reflexo da fase crítica que o jornalismo esta atravessar, que leva à necessidade, dos profissionais da comunicação, de recorrer ao máximo de recursos possíveis, para atrair os consumidores de informação. Deste modo, uma das questões que muito tem surgido nos nos dias de hoje, é a seguinte: “Poderá o futuro do jornalismo ficar condicionado pela nova estrutura de comunicação?”.

Muitos jornalistas temem, ou sentem-se ameaçados pela mudança de paradigma comunicativo , a que assistimos nos dias de hoje, – transposição do paradigma da massificação para o da individualização – mas esquecem-se que, nunca na história da humanidade, o ser humano recorreu com tanta regularidade e afluência, aos meios de comunicação social. Na sociedade ocidental industrializada, raras são as pessoas que conseguem passar um dia sem ter qualquer contacto com, pelo menos, um dos media existentes.

É verdade que os consumidores estão a deixar de ser meros recetores passivos de informação e a começar, simultaneamente, a produzi-la, ou, pelo menos, a ter alguma influência sobre a mesma (“prosumers”); mas os comunicadores não devem oferecer resistência a estas mudanças e devem aceitar e adaptar-se às mesmas, tirando partido da comunicação multimédia, da interatividade e da personalização de conteúdos, como potenciadores das suas mensagens e enriquecedores do seu trabalho, que permitem uma maior eficácia comunicacional.

A partir de agora, através da sua navegação na internet, por exemplo, cada pessoa será responsável pela criação do seu próprio universo de informação e de conhecimento. É, precisamente, na diferença entre estes dois termos – informação e conhecimento – que reside um grande argumento a favor da utilidade continuada do jornalismo. Enquanto que a informação passou a ser, facilmente, divulgada em todas estas novas plataformas existentes, o conhecimento vai para além da mesma. O conhecimento exige a descodificação, interpretação e explicação da realidade, e não é qualquer pessoa que consegue passar informação sobre a forma de conhecimento.

Assim, se olharmos para o sistema mediático como um todo, os jornalistas da atualidade devem apostar na compreensão das diversas ferramentas do sistema mediático (texto, infografias dinâmicas, fotografias, áudio, vídeo, hiperligações, slideshows, galerias fotográficas…), que estão, cada vez mais, aglomeradas no mesmo espaço comunicativo (convergência), e utilizá-las de maneira interativa – não recorrendo, apenas, a links em palavras mas, também, à imaginação e a narrativas diferenciadas.

 

Áudio esclarecedor do tema abordado: