imagesSegundo a UNESCO, o Jornalismo de Investigação é uma variante do jornalismo especializada na procura de matérias que são ocultadas propositadamente por alguém numa posição de poder, ou acidentalmente, por  factos e circunstâncias que apenas uma análise e exposição pode tornar verídico e relevante para o público. Assim sendo, podemos concluir que o jornalismo de  investigação contribuiu para a liberdade de expressão e para o desenvolvimento dos media.

Os Jornalistas  de Investigação procuram descobrir factos e produzir reportagens que exponham irregularidades, má gestão, fraudes, conflitos de interesse, desperdícios e abusos de autoridade. Um dos maiores deveres do jornalista e claro, do jornalista de investigação é o de servir o interesse público, seguindo e verificando os órgãos do governo, de negócios, educação, saúde, meio ambiente, segurança e outras instituições. É desta forma indispensável para a democracia, pois proporciona ao público conhecimento sobre o modo como as instituições nacionais operam, e mantém-o informados.

As recentes transformações tecnológicas da informação e comunicação colocaram em dúvida se existiria ou não uma crise na indústria dos media que colocaria em risco e ameaçaria a sobrevivência do jornalismo de  investigação.

Na  palestra de Abril de 2012, que contava com o tema Investigative Journalism in the Digital Age, Ian Overton, o fundador e editor da ONG (Bureau of Investigative Journalism), argumentou que esta crise que o jornalismo de investigação estava a passar fazia parte de uma crise geral que afectava todos os ramos do jornalismo, desde a nova Era Digital.

As novas formas de produzir conteúdo e o divulgar que a Internet gerou, acentuou a queda da receita, no que diz respeito à venda de anúncios por parte dos jornais tradicionais de todo o mundo. Esta queda implica menos dinheiro e consequentemente, mesmos investimento no jornalismo de investigação.

Por outro lado a Internet proporcionou também inovações que permitem ao jornalismo de investigação ser dono das suas produções e não depender tanto de uma equipa técnica, uma vez que existem novas plataformas que permitem divulgar amplamente e seguramente as suas  peças, e que tem um novo benefício, o facto de os seus autores poderem receber o feedback imediato do leitor.

Além destes benefícios, existem também novas ferramentas digitais abertas e de código aberto que servem para acelerar certos tipos de investigação, como por exemplo o web-scraping e software para encontrar links na “nuvem de documentos”. O portal da wikileaks mudou radicalmente a actividade dewhistleblowing, e consequentemente de protecção de fontes, que é fundamental na profissão.

No debate de 2013, que teve lugar no London Press Club em parceria com a ONG YouGov, e que contou com o tema Can investigative journalism survive?, algumas das figuras mais importantes do jornalismo Britânico como Alan Rusbridger (editor chefe do The Guardian), Andrew Gilligan (premiado jornalista do ano em 2008) e Heather Brooke (editorra do The Daily Telegraph) debateram sobre o conceito de jornalismo do cidadão e sobre um grande escândalo que envolvia gastos excessivos de parlamentos britânicos, chegando à conclusão de que o jornalismo de investigação sobreviverá. O debate tinha como base uma análise que tinha sido feita com o objectivo de perceber o interesse do público no jornalismo de  investigação, este constatou que 49% dos entrevistados acha que “o público ainda está verdadeiramente interessado no jornalismo  investigativo [sic]”.

Alan Rusbridger demonstrou optimismo quanto à sobrevivência do jornalismo de  investigação, apesar dos obstáculos. Como obstáculos o editor chefe do The Gardian chamou à atenção para o surgimento de organizações e grupos que apoiados nas novas tecnologias aparecem como defensores do cidadão, prometendo expor governos, corporações regimes opressores e autoritários, são o novo “Quinto Poder”, dele fazem parte figuras como Julian Assange, os Cypherpunks, Edward Snowden e Glenn Greenwald, e eles são a nova concorrência do jornalismo de  Investigação.

Andrew Gilligan afirmou que as mudanças tecnológicas tem tido um efeito positivo no jornalismo de investigação, fazendo com que este fique mais barato, por exemplo, segundo ele grande parte das pesquisas tem sido feita à distância, via Internet, o que reduz o trabalho de campo e poupa dinheiro,  depois a participação do cidadão através do crowdsourcing, do whistleblowing virtual e do jornalismo do cidadão tornou-se fundamental, garantindo fontes e contrapontos na investigação.

Podemos concluir então que as tecnologias digitais chegaram e mudaram o jornalismo de investigação, não só por facilitarem o acesso a informações que estavam protegidas por entidades poderosas, mas também porque garantem a protecção das fontes, reduzem custos e proporcionam mais segurança e anonimato aos jornalistas.

Cabe agora ao jornalista de  investigação procurar as ferramentas que sejam mais convenientes e eficazes ao seu trabalho, para que desta forma, possa continuar a sua missão em prol da liberdade e da defesa da democracia.

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