A manipulação digital excessiva nas imagens de modelos, actrizes e artistas para as capas de revistas ou peças publicitárias (ou qualquer outra forma que tenha como objectivo a propaganda) ajuda a criar a “sociedade das aparências”, citada nos principais debates filosóficos e antropológicos contemporâneos. Os estudiosos e criticos acreditam que estes retoques abusivos retiram a espontaneidade e originalidade à pessoa, ou objecto, levando assim a um universo baseado numa imagem perfeita que é surreal.

A canção “Nouveau Pafum”, interpretada por Boglárka “Boggie” Csemer, uma cantadora francesa vem ao encontro desta temática. A letra da música inicia-se com uma enumeração de marcas conhecidas que são seguidas por algumas questões que todos devemos colocar, “o que escolher?”, “Porque é que eu escolho?” e “Quem quer que eu escolha?” .

Mas a artista vai mais longe, com um segundo video onde alem de cantar a música, é transformada através de mutações tecnológicas, feitas a partir de um software com funções semelhantes às do Photoshop. As correcções são efectuadas num vídeo, em movimento.

Nándor Lorincz e Bálint Nagy, os produtores do vídeo, começam por mostrar o rosto de Boggie na sua forma natural, e com o decorrer do vídeo as mudanças vão ocorrendo, passendo pelo clareamento da pele, a simetria do rosto, a cor dos ohos e o estilo do cabelo.

A intenção desde vídeo é mandar uma mensagem, a mensagem de que uma grande parte da sociedade glorifica um género específico de beleza, e que mais importante do que isso, beatifica-a mais do a valores ou qualidades pessoais e únicas em cada um.

Veja aqui o vídeo: 

Consulte o artigo original em: adnews