Segundo João Ruivo estamos a percorrer um momento único e preocupante de transformações que afectam o trabalho de docentes e a organização das escolas.O computador representa hoje um novo instrumento de aprendizagem e de acesso ao saber, que segundo ele, os alunos dominam melhor que a maioria dos professores.

O computador e o telemóvel são dois dos novos factores de comunicação entre os grupos de socialização e integração, uma vez que criam novos gestos, linguagens, códigos, símbolos, valores e um mundo indeterminável de engenhos periféricos (não fazem parte da unidade central de um computador, mas tem uma função no tratamento da informação).

Existem hoje escolas que detém uma geração de professores e educadores já nascidos na eram digital, estes trabalham com os outros docentes, os que pertencem à era do vinil, das disquetes, das cassetes VHS… e que hoje se sentem “infoexcluídos”.A profissão amadureceu e as novas tecnologias geraram por parte dos profissionais da antiga geração sentimentos de desconfiança o que geralmente pode levar ao desgaste, à angústia e ao stress.

Os alunos que se conformam em descobrir páginas na Internet que abordem o tema e os conteúdos que um professor os mandou investigar, e que depois se limitam a copiar, editar e imprimir, aumentaram a problemática deste assunto. Criou-se uma “guerra” onde existem docentes que dão aulas baseadas em conteúdos online e que não disponibilizam aos alunos essa informação (os sites) e da mesma forma,  alunos que elaboram trabalhos com dados extraídos de sites e que os omitem aos professores.

O Magalhães é um exemplo de um equipamento que tinha como objectivo proporcionar uma facilidade educacional e que acabou, por não ter sido dada uma formação previa aos professores, por resultar num acentuar deste conflito tecnológico.  É um exemplo de como os professores não estão a ser acompanhados para poderem acompanhar novas mudanças. Eles devem, por essa razão, exigir uma formação na área das tecnologias da informação e da comunicação, para não se tornarem “infoexcluídos” e para que possam aproveitar e maximizar as capacidades que a nova era digital tem para oferecer.

Não basta actualmente que um aluno saiba escrever e ler textos na linguagem verbal, é necessário que saiba navegar noutros meios, e será esse acontecimento um dos factores determinantes para a valorização do conhecimento e para a promoção da autonomia pessoal.

Professores e alunos devem ser valorizados na esfera escolar, para que juntos criem um espaço de aprendizagem e reflexão que contribua para a participação cívica na esfera pública. 

Veja aqui um bom exemplo do assunto acima descrito(1) e um video sobre o tema  (2), apresentado por Martha Gabriel (Engenheira [UNICAMP], pós-graduada em Marketing [ESPM-SP], pós-graduada em Design [Belas Artes SP], mestre e doutora em Artes [ECA-USP]).

(1)

(2)

Consulte o texto original, de João Ruivo aqui.